domingo, fevereiro 02, 2003 :::
Pra comecar o ano letivo (kct nao ouvia essa palavra a tanto tempo, ano letivo), ai vai das muitas coisas que aprendi na loja de trabalho (workshop) do Amancio. Foi foda, da vontade de virar pra ele e falar: "Robert Deniro fica meio dificil, mas se voce quiser fazer uma Meril Strip, eu sou uma massinha, e so me moldar". Ai ai essa minha mania de gostar de aprender. Mas isso nao e nada, a outra mania e bem pior, sorry nao posso escrever aqui, pois e existem coisas tao intimas que nem no meu diario eu escrevo... todo mundo tem um segredo...
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Sujeito, Persona, Personagem e todas essas coisas do Ser Humano
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No fundo no fundo todos nós somos iguais. Como diria minha mais nova coleguinha Ninon, “todo mundo é humano”. Me desculpe por corrigi-la em um pequeno detalhe. Realmente todos nós somos Humanos, mas esse fato não pode servir de comparativo para justificar um comportamento padrão. Nossos atos são regidos por estímulos, provenientes de dois elementos da nossa personalidade denominados: Sujeito e Persona.
“Sujeito” é a essência, a nossa parte irracional. Nesse caso sim podemos dizer que somos iguais, pois é ele quem, guiado pelos sentidos, comanda os atos comuns ao animal Homem, o reflexo, o instinto.
“Persona” é uma capa de características que o Sujeito adquire ao longo da vida, e veste por opção, ou pela falta dela. Essas caracteristicas podem ser escolhidas pelo próprio Sujeito, ou serem impostas por vários motivos; dentre eles a suposta necessidade de se defender.
É a Persona que impõe os limites atrvés da ética e da moral, características pré-estabelecidas culturalmente, para tornar possível a convivência em sociedade. Esses limites podem ser úteis em alguns momentos, mas em outros totalmente desnecessários, capazes de prejudicar a pessoa que os carrega. Como são limites abstratos, e em alguns casos, dificilmente identificáveis, podem se trasformar em barreira posicionadas entre a pessoa e seu objetivo. Já o limite do Sujeito é concreto, é o limite físico, ele está lá, existe; ou é ou não é. Mas também pode ser mascarado pelos limites da Persona.
Cada Sujeito possui sua própria Persona. O Ator tem uma Persona. Mas se seu objetivo é justamente usar uma capa de características diferentes das suas, para construir uma Personagem; ele deve conhecer profundamente sua Persona e torna-la facilmente destacável, para que possa vestir quantas capas forem preciso, e tornar suas Personagens o mais verdadeiras possíveis. Resquícios de sua própria Persona, ao usar as características da Personagem, podem causar o julgamento das atitudes dessa Personagem, tornando-a não crível para o Ator e, consequentemente, para o Espectador.
Além de tornar a personagem real, cabe ao ator torna-la interessante aos olhos de quem o assiste. Para isso existe a Técnica, um conjunto de elementos utilizados pelo Ator para despertar e “capturar” os sentidos do espectador.
O estudo do Teatro consiste em aprender essa Técnica, e tornar possível sua utilização sem as barreiras causadas pela Persona.
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Mais uma coisinha, eu me lembro bem, até anotei no meu caderninho, mentira Juliana você nem tem caderno, foi numa folha de rascunho mesmo; tá bem anotei em uma folha qualquer que achei na bolsa. Titio falou pra celebrar as conquistas e ter entusiasmo. Entusiasmo vem do grgo, e significa “ter um Deus dentro de você”, bom se é pra ter um Deus dentro de mim, que seja Dionísio então.
::: posted by Map Rezende at 12:15 p.m.